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Lenda do Curupira que se vestiu de marido

Publicado em · texto produzido com IA sob direção e revisão humanas.

Lenda do Curupira que se vestiu de marido: o Curupira mata um caçador no mato, veste a roupa dele, volta à casa chamando a mulher pelo apelido do casal, janta com ela e pede o filho para dormir na rede. A versão mais antiga que conferimos foi contada por Maria dos Reis, de Santarém (Pará), ao naturalista Herbert H. Smith, que a publicou em 1879.

Resumo rápido

É uma lenda indígena do baixo Amazonas. Há duas versões no papel: a de Maria dos Reis, em Brazil, the Amazons and the Coast, de Herbert H. Smith (1879, pp. 562–563), e a do rio Amazonas anotada em língua geral por João Barbosa Rodrigues na Poranduba Amazonense (1890, pp. 59–64), com o título "O Corupira e uma mulher". Nas duas, a mulher percebe a troca, foge com o filho e um sapo prende o Curupira numa árvore. Para outras lendas do mesmo ser, veja a lenda do Curupira.

O que conta a lenda do Curupira que se vestiu de marido?

Um homem que tinha mulher e um filho pequeno foi caçar, e no mato o Curupira o matou. Tirou do morto o coração e o fígado, vestiu a roupa dele e foi até a casa, imitando a voz do marido: "Velha, velha, onde estás?". Smith anota num rodapé que, no Amazonas, marido e mulher se chamavam assim, de velho e de velha.

A mulher respondeu "estou aqui" e mal reparou nele. O Curupira entregou a carne para ela cozinhar, e os três comeram na esteira. Depois ele deitou na rede e pediu o menino para dormir com ele.

Passado um tempo, ela foi olhar e viu que não era o marido. Pôs as coisas num paneiro, tirou o filho do braço do Curupira devagar e deixou um pilão no lugar. Fugiu, e ele acordou e foi atrás, chamando do mesmo jeito. Ela se escondeu debaixo de uma moita de mundui; um pássaro cantou "mundui, mundui" para avisar, mas o Curupira não entendeu. Mais adiante, numa árvore oca, o sapo Curucuna desceu uma corda de goma, escondeu a mulher e cobriu o tronco de goma. O Curupira tentou subir, ficou grudado e morreu ali.

Qual é a diferença na versão de 1890?

Na Poranduba Amazonense, o homem tem filhos pequeninos, e o Curupira tira só o fígado e veste "a calça e a camisa" do morto. Há uma frase que só essa versão tem: "Como não olhasse para elle, pensou ser seu marido". Quando ele dorme, ela olha bem e diz três vezes, baixinho: "Este não é meu marido... Este não é meu marido... Este é o Corupira". Ela foge com o filho numa tipoia e se esconde no galho alto de um mambuizeiro; o pássaro tem nome, uacurau, e canta "Mambuy! Mambuy!". O sapo é o cunauaru, que faz de resina uma corda, e o Curupira morre "grudado pelo pello".

Que conselho Maria dos Reis deu?

Que se tomasse muito cuidado ao andar sozinho no mato, porque o Curupira chama de dentro das moitas; quem vai atrás do som ouve chamar de novo, mais longe, até se perder. Com o caçador, ele faz o mesmo imitando o pio do inambu. É o conselho que Smith registrou logo depois da história (1879, pp. 563–564).

De quem é essa história?

De gente indígena do baixo Amazonas. Quem contou foi Maria dos Reis, de Santarém, a Herbert H. Smith, que ouvia esses contos de mulheres velhas junto do fogo, "meio falando, meio cantando" (1879, p. 559). A versão de 1890 foi contada em língua geral (nheengatu), no rio Amazonas, e anotada por João Barbosa Rodrigues com a tradução linha a linha. A redação desta página é nossa; os dois livros são de domínio público.

Perguntas frequentes

Qual é a lenda do Curupira que se vestiu de marido? É a lenda em que o Curupira mata um caçador, veste a roupa dele e volta à casa do morto chamando a mulher de "velha", janta com ela e pede o filho na rede. Foi contada por Maria dos Reis, de Santarém, e publicada por Herbert H. Smith em 1879.

A lenda do Curupira vestido de marido é indígena? Sim. Smith a recolheu entre gente indígena do baixo Amazonas, e a versão de 1890 foi anotada em língua geral, a língua em que era contada.

Como a mulher descobre que não é o marido? Ela vai olhar para ele enquanto dorme. Na versão de 1879 o livro não diz o que ela viu; na de 1890, ela diz três vezes "Este não é meu marido" e depois "Este é o Corupira".

Como termina a lenda? Nas duas versões, a mulher foge com o filho e um sapo a esconde numa árvore oca e prende o Curupira com goma ou resina, e ele morre grudado no tronco.

Onde ler a lenda original? Em Brazil, the Amazons and the Coast, de Herbert H. Smith (1879), pp. 562–563, e na Poranduba Amazonense, de João Barbosa Rodrigues (1890), pp. 59–64. Os links estão nas fontes abaixo.

Fontes

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