A história vem do rio Negro, contada em língua geral e traduzida por Barbosa Rodrigues. Uma mulher pede abrigo na casa de um homem casado, fia algodão e passa fome. Ele põe um fio de cabelo humano num ovo de mutum, ela come, a barriga cresce, e de dentro dela uma voz responde. Quando a cobra sai e sobe pela sorveira, o homem engana o filho com uma sorva cheia de cuspe e esconde a mãe num pote, debaixo da terra.
Sem achar fundo no rio, a cobra sobe ao céu e deixa um pedido ao homem que chama de avô: responder quando ela chamar e capinar a roça quando ela aparecer, porque é o começo do verão. Na versão do Solimões não há homem nem truque. A mãe foge, a cobra pede a mãe à avó, e a avó dorme enquanto a voz chama do alto. O livro diz que é por isso que só lagartos, cobras e árvores trocam de pele.
Depois das duas versões, o vídeo lê o rodapé em que Barbosa Rodrigues registra duas pessoas sérias, sem nome, que diziam ter visto a cobra, uma delas em 1835 sob o forte de Belém. Passa pela sucuruju que o naturalista Henry Walter Bates viu ser morta no rio Cupari, pelos igarapés que Herbert Smith ouviu chamarem de rastro da cobra e por dois trechos de Couto de Magalhães: o lago Juá, onde os pais deixavam a filha numa ilhota, e o Honorato de Cametá, que, diziam, viajava pelo fundo dos rios.
- Duração
- cerca de 18 minutos (estimado), 7 capítulos
- Narração
- voz sintética, com pesquisa e revisão humanas
- Idioma
- português do Brasil
- Fontes
- Barbosa Rodrigues (1890), Couto de Magalhães (1876), Herbert Smith (1879), Henry Walter Bates (1863)
- Publicado
- estreia em 18 de outubro de 2026, às 20h, no YouTube