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Águas Profundas

Para dormir · 1h31 · 22 capítulos

Histórias de terror da Amazônia para dormirlendas dos rios, lidas devagar

Uma hora e meia de contos antigos do Rio Negro e do Rio Branco, lidos em voz baixa, sem gritos e sem sustos. O terror aqui é o de antigamente: uma voz atrás do toco, um barulho distante na mata, uma canoa que segue para o sol. Feche os olhos quando quiser.

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Narração com voz sintética e imagens geradas por inteligência artificial, sob pesquisa, tradução e revisão humanas. Contos de livros em domínio público. Como o canal é feito.

Capítulos

Toque num capítulo para ouvir a partir dali. Cada um se entende sozinho.

  1. Abertura: o livro e a língua dos contos
  2. O livro e a língua em que os contos foram guardados
  3. O Maguary e o sono
  4. A cidade ao nascer do sol e a primeira noite de BatesPáginas de viajante
  5. O beija-flor e o MaguaryO Maguary e o beija-flor
  6. A casa de campo, as alamedas e a água que sobe e descePáginas de viajante
  7. A onça e a anta
  8. As aves da Estrada das MongubeirasPáginas de viajante
  9. A arara e o pica-pau, e a cantiga do mutum
  10. Lagartixas, borboletas e uma pequena fonte entre palmeirasPáginas de viajante
  11. A chuva da preguiça
  12. As formigas que levavam folhasPáginas de viajante
  13. Os caminhos de canoaPáginas de viajante
  14. A Matinta e a pergunta sobre o melado
  15. Os ruídos da floresta, e quem os fazO Curupira: os ruídos da mata e o infeliz
  16. O Curupira e o infeliz: a conversa na mataO Curupira: os ruídos da mata e o infeliz
  17. O Curupira e o infeliz: a corda e os porcosO Curupira: os ruídos da mata e o infeliz
  18. O caminho de água de Pedro-uassúPáginas de viajante
  19. A Yara, versão de Manaus: a canoa de Jaguarari
  20. A Yara, versão de Manaus: a última visão da canoa
  21. A noite da escuna rumo a CametáPáginas de viajante
  22. A praia ao amanhecerPáginas de viajante
  23. O Maguary outra vezO Maguary e o sono

O que você vai ouvir

Em 1890, o botânico João Barbosa Rodrigues publicou no Rio de Janeiro o Poranduba Amazonense, uma coletânea de contos que ele ouviu e anotou na língua geral entre 1872 e 1887. Poranduba, nas palavras dele, quer dizer histórias fantásticas, fábulas. Este episódio lê alguns desses contos, um por capítulo, e entre um e outro acompanha as páginas de dois viajantes que passaram pelos mesmos rios: Henry Walter Bates, que publicou o seu livro em 1863, e Herbert Smith, em 1879.

Perto do fim, quando a noite já está funda, entra uma lenda literária: a Yara contada por Affonso Arinos, publicada em 1917. Cada capítulo se entende sozinho. Não é preciso guardar nenhum nome, e não há susto no meio do caminho para acordar quem já dormiu.

Tudo o que se ouve foi lido nos livros originais, de domínio público, e cada fato tem a sua página. A redação e as traduções do inglês e do português de 1890 são nossas. Onde o livro não diz, a narração também não diz.

Duração
1h31 (91 minutos), 22 capítulos
Narração
voz sintética calma, ritmo de sono, com cama sonora de água e chuva fina
Idioma
português do Brasil
Fontes
Barbosa Rodrigues (1890), Bates (1863), Smith (1879), Arinos (1917)
Publicado
15 de outubro de 2026, no YouTube

As lendas deste episódio

Resumos nossos, sem estragar o fim. A narração completa está no vídeo.

O Maguary e o sono

Rio Branco · Poranduba Amazonense (1890), pp. 153–154

Uma ave de bico comprido decide acabar com o sono e fica de vigia num galho. Quando o vulto chega perto, ela cochila, acorda num susto e voa gritando cuá, cuá, cuá. O livro termina dizendo que assim acontece todas as noites, desde a mais remota antiguidade. É o conto que abre e fecha o episódio.

Ouvir a partir de 5:13 →

O Maguary e o beija-flor

Rio Negro · Poranduba Amazonense (1890), pp. 163–165

Uma aposta de voo para atravessar o rio. O beija-flor sai na frente, cansa no meio da água e pede para segurar o leme do Maguary, que são as pernas esticadas da ave. Os dois chegam à outra margem com o sol já posto.

Ouvir a partir de 14:55 →

A onça e a anta

Rio Branco · Poranduba Amazonense (1890), pp. 155–156

A onça pede emprestados os cascos da anta para andar de noite sem espetar os pés. Por isso, diz o conto, a onça faz barulho no escuro e a anta não: anda descalça. Se os cascos voltaram ao amanhecer, o livro não conta.

Ouvir a partir de 27:29 →

A arara e o pica-pau, e a cantiga do mutum

Rio Negro · Poranduba Amazonense (1890), pp. 157–158

O pica-pau puxa conversa para atrasar a arara e, quando escurece, pula para o seu buraco no pau. A arara vai embora zangada, gritando. Logo depois vem a cantiga curta do mutum, que pede a sua canoa.

Ouvir a partir de 33:02 →

A chuva da preguiça

Rio Negro · Poranduba Amazonense (1890), p. 161

O camaleão pede uma chuva fina para molhar o pelo da preguiça, e a preguiça pede uma chuva forte para fazer roncar a barriga do camaleão. Do conto, anota o autor, nasceu o ditado chuva de preguiça, a garoa miúda.

Ouvir a partir de 38:57 →

A Matinta e a pergunta sobre o melado

Herbert Smith, Brazil, the Amazons and the Coast (1879), pp. 566–567

Uma voz sem corpo, ouvida perto dos pequenos engenhos de açúcar, que às vezes toma a forma de um homem velho. A um velho que passava, ela perguntou de trás de um toco: onde está o seu melado? Ele olhou e não achou ninguém. Smith escreve que ela é perfeitamente inofensiva.

Ouvir a partir de 51:50 →

O Curupira: os ruídos da mata e o infeliz

Bates (1863), cap. II · Smith (1879), p. 564, citando Couto de Magalhães (1876) · Poranduba Amazonense (1890), pp. 39–48

Primeiro, os barulhos que ninguém explica, como uma barra de ferro batendo numa árvore oca, atribuídos ao guardião da floresta. Depois, o conto do caçador sem sorte que lava com pimenta a cabeça do Curupira e, mais tarde, recebe dele uma corda que traz um bando de porcos para casa. Contado com calma, sem susto.

Ouvir a partir de 54:50 →

A Yara, versão de Manaus

Affonso Arinos, Lendas e Tradições Brasileiras (1917), pp. 54–59

Jaguarari, filho do tuxaua dos manaus, passa as tardes sozinho na ponta do Taruman e confessa à mãe que viu a Yara. No dia seguinte, a canoa dele segue para o sol poente, com uma figura clara ao lado. Foi a última vez que o viram remar. É uma lenda literária, e a narração a deixa onde Arinos a deixou.

Ouvir a partir de 1:11:39 →

As noites dos viajantes

Henry Walter Bates, The Naturalist on the River Amazons (1863)

Entre um conto e outro, páginas lentas de um naturalista inglês que chegou a Belém em 1848: a cidade ao nascer do sol, os vaga-lumes, as aves das alamedas, as formigas que carregam folhas, os caminhos de canoa, uma noite de escuna rumo a Cametá e uma praia ao amanhecer. São os capítulos mais calmos, feitos para pegar no sono.

Ouvir a partir de 8:45 →

Como usar para dormir

  1. Comece já deitado, com o volume baixo. A narração foi feita para ser ouvida, não assistida: pode virar a tela para baixo ou apagar o brilho.
  2. Para o vídeo parar sozinho, use um temporizador: no iPhone, o Timer do app Relógio tem a opção Parar Reprodução; no app do YouTube, o temporizador de suspensão fica nas configurações do player, quando aparece para a sua conta. O modo Não perturbe evita que uma notificação acorde você.
  3. Não tente acompanhar a história. Os capítulos se entendem sozinhos, e não há susto, grito nem barulho alto: se cochilar no meio de um conto, não perde nada.
  4. Se acordar de madrugada, volte pelos capítulos desta página e escolha um dos mais calmos, como A chuva da preguiça ou A praia ao amanhecer.

Fontes

Só obras em domínio público, lidas no texto original. A redação e as traduções são do canal.

Perguntas frequentes

As histórias dão medo?

Pouco. São lendas de terror de antigamente, contadas em voz baixa e sem sustos, gritos ou efeitos altos. O clima é de mistério, não de susto: foi feito para relaxar e dormir.

É para crianças?

Não. O episódio foi pensado para adultos que gostam de folclore e de terror leve na hora de dormir. Algumas lendas falam de perda, de medo na mata e de uma canoa que não volta.

As lendas são verdadeiras?

São lendas de verdade, no sentido de que foram registradas em livros do século dezenove, com página e ano. Não são relatos de fatos. Quando o autor de 1890 dá uma explicação para um conto, a narração diz que é a explicação dele.

Quem narra? É feito com inteligência artificial?

Sim. A narração é uma voz sintética e as imagens são geradas por IA. A pesquisa, a escolha dos contos, a tradução, a revisão e a aprovação são humanas. O canal marca isso no YouTube e aqui.

Posso ouvir com a tela desligada?

No app do YouTube, com YouTube Premium, o vídeo toca em segundo plano. Sem Premium, deixe a tela acesa com o brilho no mínimo e vire o celular para baixo; um temporizador faz o vídeo parar sozinho.

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