Resumos nossos, sem estragar o fim. A narração completa está no vídeo.
As lágrimas da lua
Rio Solimões · João Barbosa Rodrigues, Poranduba Amazonense (1890), pp. 211–212
A lua era noiva do sol, mas os dois não podiam se casar sem acabar com o mundo. Separados, a lua chorou o dia inteiro e a noite inteira, e o conto diz de onde veio o rio que nasceu desse choro. Numa nota, o autor dá a sua interpretação: um cataclismo antigo. É a opinião dele.
Ouvir a partir de ≈0:00 →O boto, deus dos peixes
Couto de Magalhães, O Selvagem (1876), Parte II, pp. 137–138 · Henry Walter Bates, The Naturalist on the River Amazons (1863), caps. IV, VII e XI
Couto de Magalhães escreve que a sorte dos peixes foi confiada ao Uauiará, que se transforma em boto, e que o povo do Pará contava ver lagos iluminados em noites de luar, com cantigas e bate-pé vindos da água. Bates ouve os botos rolando e bufando a noite inteira e anota, numa noite de conversa numa praia de areia perto de Ega, a história de um boto que andava pelas ruas em forma de mulher.
Ouvir a partir de ≈8:37 →As moças da água
Herbert H. Smith, Brazil, the Amazons and the Coast (1879), p. 572 · Affonso Arinos, Lendas e Tradições Brasileiras (1917), pp. 52–54
Smith ouviu no baixo Amazonas que as moças da água eram muito belas, de cabelos negros trançados com flores de uma planta de água, e que atraíam os moços com o canto. Arinos compara a Iara com a Loreley do Reno e escreve Yara, com Y, seguindo o dicionário tupi de Gonçalves Dias.
Ouvir a partir de ≈28:58 →A Mãe-d'Água
Rio de Janeiro · Sílvio Romero, Contos Populares do Brazil (1897), conto XL, pp. 118–119
Um conto de fadas do jeito antigo. A filha de uma fada e do rei da Lua é feita rainha de todas as águas, casa com o filho do Sol e passa três meses por ano num palácio de ouro debaixo do mar. Um dia a mãe dela desaparece, e a filha sai perguntando aos peixes, às areias e às conchas.
Ouvir a partir de ≈36:01 →Como a noite apareceu
Couto de Magalhães, O Selvagem (1876), Parte I, pp. 172–174
No princípio só havia dia, e a noite estava adormecida no fundo das águas, na casa da Cobra Grande. Três criados vão buscá-la de canoa, num caroço de tucumã bem fechado que não deve ser aberto. No caminho, alguma coisa começa a cantar lá dentro. Couto anota que, ao contar esse trecho, os narradores imitavam os insetos da noite.
Ouvir a partir de ≈50:04 →A cobra-grande que foi para o céu
Poranduba Amazonense (1890), pp. 233–235 e 239–243 · Bates (1863), cap. IX · Couto de Magalhães (1876), Parte II, p. 133
No conto do Solimões, uma cobra-grande que não larga a mãe acaba virando a constelação do Serpentário, que, segundo o autor, aparece em setembro e anuncia o verão. Barbosa Rodrigues anota também quem lhe disse ter visto a serpente dos rios em 1835, sob o forte de Belém. Bates registra a crença na Mãe-d'água, a serpente imensa, e Couto o célebre Honorato de Cametá.
Ouvir a partir de ≈57:31 →Os que moram na água
José de Anchieta, carta de São Vicente (1560) · Pero de Magalhães de Gândavo (1576), cap. 9 · Gabriel Soares de Sousa, Tratado descriptivo do Brazil em 1587 (ed. 1851), cap. CXXVII, pp. 280–281
Anchieta explica o nome ipupiara como os que moram na água. Gândavo conta o monstro marinho de São Vicente, de 1564, visto de noite numa várzea junto ao mar, e o chama Hipupiára, demônio da água. Gabriel Soares fala dos homens marinhos da Bahia e de um vulto visto da janela de um engenho. A narração deixa de fora as partes duras.
Ouvir a partir de ≈1:06:20 →As casas que sobem com o rio
Poranduba Amazonense (1890), O dilúvio, pp. 213–215, e O mar do mundo, p. 217
Dois contos curtos sobre as águas grandes. Num, um casal que escapou da cheia pensa em fazer as casas em cima do rio, para subir junto com a água. No outro, a serra do Ereré, onde tudo é grande e cheiroso, guarda uma fonte que as águas do fim do mundo, segundo o conto, não alcançaram.
Ouvir a partir de ≈1:20:40 →