Em 1850, Wallace deixa o irmão mais novo em Barra do Rio Negro e sobe o rio atrás de duas coisas: uma ave-guarda-chuva branca e a cachoeira que os comerciantes chamavam de cachoeira do Jurupari, a do Diabo. No rio Uaupés ele anota o que os povos de lá diziam: quando troveja, é o Jurupari com raiva; no eclipse, é ele matando a lua. Em 1851 recebe cartas velhas de Belém: o irmão pegou febre amarela. Ninguém mais escreve.
Em 1852 Wallace sobe cinquenta cachoeiras do Uaupés, ainda fraco da febre. A última grande antes da do Jurupari se chama Uacorouá, que ele traduz por goatsucker, um Caprimulgus: o mesmo tipo de pássaro da noite que o capuchinho Ivo d'Evreux, no Maranhão de 1613, afirmou ser o próprio demônio, segundo Barbosa Rodrigues. Wallace para a uma semana da cachoeira. Entre os objetos que junta no Uaupés, o item 29 da lista: oito trombetas grandes, a música do Jurupari.
No meio, o vídeo volta a 1613, à ilha do Maranhão: os frades capuchinhos franceses ouvem dos índios que o jeropary aparece e os atormenta, e Claude d'Abbeville deixa escrito: mas nós nunca o vimos. Outro frade, Ivo d'Evreux, jura ter visto o demônio, e era um pássaro da noite. Depois vêm a frase latina de Laet e Marcgraf, 'simpliciter diabolum', e o que Couto de Magalhães e Herbert Smith acharam por baixo do nome. Termina com o incêndio do brigue Helen em 6 de agosto de 1852, os dez dias nos botes e a perda de tudo o que Wallace levava. As trombetas e o ritual não aparecem no vídeo, por respeito ao segredo dos povos do Uaupés. A lista completa dos cronistas que fizeram do Jurupari o Diabo (Anchieta e Nóbrega, Cardim, os capuchinhos) está nesta página, abaixo; a tradição do Jurupari é dos povos do rio Uaupés e do Maranhão, e os livros são de quem anotou de fora.
- Duração
- cerca de 13 minutos (estimado), 7 capítulos
- Narração
- voz sintética, com pesquisa e revisão humanas
- Idioma
- português do Brasil
- Fontes
- Wallace (1853), Couto de Magalhães (1876), Herbert Smith (1879), Barbosa Rodrigues (1890)
- Publicado
- estreia em 21 de outubro de 2026, às 20h, no YouTube