Uma senhora conta ao jornal que, aos quatro anos, a mãe dela, que cuidava dos meninos da casa enquanto os donos iam ao teatro, usava o Saci como calmante: um diabinho muito peludo, de camisa vermelha e uma perna só, cuja profissão era carregar para uma mata distante as crianças desobedientes. Funcionou tão bem que, até poucos anos antes da carta, ela via o Saci em qualquer sombra, e numa corrida de fuga atirou-se pela primeira porta que encontrou e caiu dentro de um tanque de natação.
O prefácio do livro conta como o inquérito nasceu: num passeio pelo Jardim da Luz, em São Paulo, alguém reclamou que ali houvesse anões de jardim alemães em vez de um Saci. Depois vêm os cavalos que amanheciam com a crina embaraçada, o Saci Cererê que Couto de Magalhães anotou em 1876, a festa do diabo no inferno contada por um leitor do sul de Minas e o Dia do Saci, que uma lei estadual de 2004 marcou para 31 de outubro.
As cartas mais escuras trazem o carro de bois que dispara numa porteira, o fazendeiro que perdia cavalos de crina trançada e desmaiou no quarto dos arreios, o valentão de Piraju que esqueceu a garrucha na cinta e os olhos de fogo na dobra da estrada. O vídeo termina com como se prende um Saci (um rosário de caiapiá jogado no redemoinho), como se solta (um nó desfeito com um ralho) e o ovo intacto no oco da gameleira. As cartas são de gente do interior de São Paulo, de Minas e do Estado do Rio; o livro é de quem as reuniu.
- Duração
- cerca de 13 minutos (estimado), 7 capítulos
- Narração
- voz sintética, com pesquisa e revisão humanas
- Idioma
- português do Brasil
- Fontes
- O Sacy-Perêrê (Monteiro Lobato, org., 1918), O Selvagem (Couto de Magalhães, 1876), Lei estadual nº 11.669/2004
- Publicado
- estreia em 25 de outubro de 2026, às 20h, no YouTube